Alô, CBF: Competição ou Passeio? Atletas denunciam irregularidades nas viagens do Brasileiro FemininoA Arquibancada Feminina tem sido o canal de desabafo para diversas atletas e membros de comissões técnicas do Campeonato Brasileiro Feminino (Séries A2 e A3), que demonstram crescente insatisfação com a forma como os gestores de clubes estão definindo quem viaja para as competições.
A denúncia aponta um desvio de finalidade preocupante: a CBF banca o deslocamento (ida e volta) de até 30 pessoas, além de arcar com todas as refeições durante três diárias, que podem ser estendidas conforme a logística. Essa estrutura foi pensada para atender atletas, comissão técnica e o marketing das equipes. Contudo, a realidade em dezenas de clubes tem sido outra.
Apenas neste ano, a Arquibancada Feminina Sports já registrou 34 questionamentos de atletas ou membros de comissões técnicas, envolvendo 17 clubes diferentes. O relato é unânime: enquanto profissionais da equipe são deixados para trás, clubes estão levando pessoas estranhas à comissão técnica, como familiares de gestores e até patrocinadores, para dias de "férias" financiadas pela entidade.
"Eu estava apta e fui deixada no alojamento"
Para ilustrar o cenário, uma atleta que preferiu não se identificar relatou a frustração de ter sido cortada da delegação. "Eu estava totalmente apta para jogar, treinando bem, mas fui deixada no alojamento junto com mais três atletas. No lugar, foram familiares da gestão", conta.
A jogadora também questiona a presença dos chamados "amigos do presidente"
"Eles viajam e não vão nem sequer ao jogo, vão puramente a turismo. Fica a dúvida: será que rola um dinheiro por fora para serem oferecidas essas caronas? Quando a pessoa vai para ajudar, a gente ainda tenta relevar, mas muitos vão exclusivamente para turistar, ocupando o lugar de quem realmente deveria estar ali para trabalhar pelo time."
A situação levanta um alerta urgente sobre a gestão e o uso dos recursos destinados ao fortalecimento do futebol feminino. A Arquibancada Feminina Sports segue acompanhando os relatos e cobrando que o foco das competições seja o protagonismo das atletas em campo, e não o turismo de convidado.