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23 de fevereiro de 2019

Açude Maranguapinho em Maranguape atinge 100% da sua capacidade

Acumulado de chuvas em fevereiro já supera a média histórica para o mês

Subiu para quatro o número de açudes no Estado que estão com 100% da capacidade. De acordo com a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), o açude Maranguapinho, em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, sangrou neste sábado (23).

Os açudes que estão com 100% de sua capacidade são: Maranguapinho, em Maranguape; Germinal, no município de Palmácia; Tijuquinha, em Baturité; e São José, na cidade de Boa Viagem. Oito açudes estão com volume acima de 90%.


Chuvas em fevereiro já superam média histórica
O sangramento de reservatórios está relacionado aos bons volumes de chuva no Ceará. Neste mês de fevereiro, o primeiro da quadra chuvosa, o acumulado de precipitações é de 146 milímetros, número 23,1% maior que a média histórica para o período no Estado. 

Entre a sexta (22) e este sábado (23), choveu em pelo menos 78 municípios do Estado. O destaque foi São Gonçalo do Amarante, no Litoral Oeste do Estado, onde foram registrados 132 mm.

Situação crítica nos maiores açudes
No entanto, os maiores açudes do Ceará seguem em situação crítica. O Castanhão, principal reservatório a abastecer a Região Metropolitana de Fortaleza, tem apenas 3,46% da capacidade máxima. Já o Orós, segundo maior açude do estado, tem 5,39% do volume máximo e corre o risco de chegar ao volume morto neste ano.

Apesar da gravidade da situação, há motivos para ter esperança. Em janeiro, o Ceará estava com 42,03% do seu território sem seca relativa. O cenário é o melhor a o Estado desde que a situação da seca do Nordeste começou a ser monitorada regularmente, em julho de 2014.

De acordo com a Funceme, a área sem seca era de 7,55%, em dezembro de 2018, o que representa uma diferença de 34,48% em comparação com o mês passado. Em relação a janeiro do ano passado, a situação é ainda mais positiva, pois há um ano o Ceará não apresentava nenhuma porção do seu território sem seca.

 Red; DN 

Marcelo Rospide confirma que foi demitido do Ceará a pedido de Lisca: "faltou hombridade"


Marcelo Rospide era auxiliar do Ceará desde 2018. Foto: Fernando Ferreira / Cearasc.com.

Marcelo Rospide era auxiliar do Ceará desde 2018. Foto: Fernando Ferreira / Cearasc.com.

O auxiliar-técnico Marcelo Rospide, que foi demitido do Ceará nesta sexta-feira, 22, confirmou que sua saída do clube ocorreu a pedido do técnico Lisca. Em entrevista exclusiva ao O POVO, Rospide falou sobre a surpresa que teve ao deixar o Alvinegro. Ele foi comunicado pelo executivo de futebol, Marcelo Segurado.

"Eu fui comunicado pelo Segurado que ele (Lisca) solicitou o meu desligamento. Comigo Lisca não falou nada, nem depois do jogo nem até agora. Não me ligou nem vai me ligar, com certeza. Segurado me comunicou na manhã de ontem (quinta-feira), fui pego de surpresa. Até agora não sei o motivo", disse Rospide, que já acertou sua rescisão.

O auxiliar reclamou ainda da postura que Lisca teve na situação.

"Faltou hombridade da parte dele em me comunicar. Acho que assim até estaria preservando se fosse o caso. Mas, dessa forma, eu vou falar o que é a verdade. E a verdade é que realmente ele não me falou o real motivo. Ele tem todo o direito, ele que me trouxe, abriu as portas do clube pra mim, mas eu esperava ao menos que ele falasse pra mim", disse Rospide.

O POVO confirmou a informação divulgada pelo UOL, de que a demissão de Rospide pegou todos de surpresa pelo fato dele ser querido entre os jogadores e demais funcionários do clube, inclusive sendo elogiado pelo trabalho realizado na última semana, quando Lisca foi à CBF para realizar curso e Rospide assumiu comando do time.

Red; o povo.com


MPE abre investigação contra o PSL no Ceará

O pivô da suspeita de ilicitude é uma candidata a deputada estadual que recebeu R$ 150 mil da direção nacional da sigla e teve baixa votação. Casos semelhantes se repetem em outros partidos

O PSL, que vem sendo alvo de denúncias de candidaturas "laranjas" no País, entrou, agora, na mira do Ministério Público Eleitoral do Ceará. O órgão abriu, ontem, investigação sobre o partido do presidente Jair Bolsonaro no Estado, por repasse suspeito de R$ 150 mil da direção nacional da sigla para a então candidata a deputada estadual Gislani Maia, às vésperas da eleição do ano passado - suspeitas semelhantes recaem sobre candidaturas do PSL em outros estados e outros partidos.

Única candidata do PSL no Ceará a receber recursos do Fundo Eleitoral - mais do que o próprio presidente estadual da legenda, Heitor Freire, que foi eleito deputado federal -, Gislani utilizou a verba, segundo prestação de contas à Justiça Eleitoral, na confecção de 4,5 milhões de santinhos - quase a metade da população cearense - para um resultado inexpressivo: 3,5 mil votos.

> Reclamações sobre tratamento 'diferente' em eleição expõem fissura no PSL do Ceará

O Diário do Nordeste já havia denunciado, após a eleição de 2018, casos de candidatas a deputada estadual e deputada federal que receberam mais de R$ 200 mil do Fundo Eleitoral para as campanhas e sequer alcançaram mil votos. No Podemos, por exemplo, a aposentada Lucilene Correia da Costa, conhecida como "Mamãe", recebeu R$ 300 mil da direção nacional do partido para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, mas teve apenas 2.374 votos no Estado.

Outros partidos, como PROS, PSB, DEM e Avante, também levantaram suspeitas em torno de candidaturas de mulheres que tiveram as contas abastecidas com dinheiro público, mas, sem estrutura de campanha, apresentaram fraco desempenho nas urnas.

Legislação

Em 2018, além da chamada "cota de gênero", que exige que os partidos lancem, pelo menos, 30% de candidaturas femininas nas eleições proporcionais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que 30% do Fundo Eleitoral também deveria ser destinado a campanhas de mulheres. Nas últimas semanas, porém, o PSL virou alvo de denúncias de candidatas "laranjas".

Depois dos casos envolvendo o presidente nacional do PSL, deputado federal Luciano Bívar, em Pernambuco, e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, em Minas Gerais, a legenda no Ceará passou a ser investigada pelo Ministério Público Eleitoral no Ceará. O repasse de R$ 150 mil feito pela direção do PSL a Gisleni Maia, a dois dias da eleição, chamou atenção do órgão. O dinheiro foi distribuído a três gráficas diferentes.

No mesmo dia em que recebeu recursos do diretório nacional, a empresária declarou à Justiça Eleitoral gastos com a confecção de R$ 4,5 milhões de santinhos, 200 mil bottons e quase 100 mil panfletos. Gislani recebeu mais recursos que a campanha para deputado federal do próprio presidente estadual do PSL, Heitor Freire: R$ 50 mil.

Encomendas

Por outro lado, a maior parte da despesa - R$ 103.232 - feita pela então candidata no dia 5 de outubro foi com uma lona e 26 mil adesivos para carro na gráfica EH8 Comunicação Visual, cujo nome social é M C de Holanda Carvalho. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), essa foi a mesma empresa utilizada por Heitor para confecção de adesivos, sendo responsável por 58% dos gastos dele.

A reportagem foi até a gráfica, no bairro Joaquim Távora, em Fortaleza, na manhã de ontem. No local, havia duas máquinas de impressão e duas salas. O dono da empresa, Eder Holanda, não estava na empresa e também não atendeu às ligações. Um funcionário não soube responder se a gráfica, que conta com seis funcionários, tem estrutura para imprimir mais de 20 mil adesivos em um prazo de menos de dois dias.

Um dia antes de receber a verba do Fundo Eleitoral, Giseli Maia declarou despesa em outra gráfica, a Mark, de nome social Mark Impressos Inteligentes Eireli, da qual ela é sócia e diretora. Na nota fiscal, consta um gasto de R$ 2.050 com etiquetas personalizadas para a candidatura de Gislani, do então candidato a presidente Jair Bolsonaro e para a candidatura a deputado federal de Heitor Freire.

Investigação

O procurador regional eleitoral, Anastácio Tahim, informou que instaurou investigação sobre o caso da candidatura de Gislani Maia. De acordo com ele, as informações prestadas à Justiça Eleitoral serão analisadas a partir da próxima segunda-feira (25), quando o Ministério Público definirá a condução do processo.

Como estão esgotados os prazos das ações eleitorais, explica Tahim, caso sejam identificadas irregularidades, serão tomadas "providências no âmbito administrativo dos recursos envolvidos e na esfera criminal". O procurador disse, ainda, que vai entrar em contato com a Procuradoria Regional Eleitoral de Minas Gerais para analisar uma possível ligação do caso com o ocorrido no PSL mineiro, que tinha sob a presidência o atual ministro do Turismo.

Outro lado

Procurada pelo Diário do Nordeste, a ex-candidata a deputada estadual do PSL, Gislani Maia, não quis dar entrevista. Já o presidente estadual do partido, deputado federal Heitor Freire, disse, por meio de nota, que "todos os trâmites e preceitos legais atinentes ao uso do Fundo Partidário foram rigorosamente observados por ocasião do processo eleitoral de 2018".

O dirigente do PSL argumentou que Gislani Maia foi a 17ª candidata mais votada do Estado e, "portanto, qualquer insinuação de que esta tenha sido candidata 'laranja', não passa de denuncismo vazio, irresponsável e leviano por parte de quem tenta a todo custo manchar a imagem" da sigla.

Red; DN