-->

10 de novembro de 2017

Motorista é raptado em Maracanaú; irmão seria o alvo do crime



Criminosos invadiram a casa de Eriberto, que dormia com a família JÉSSIKA SISNANDO


Há mais de 24 horas, uma família em Maracanaú vive um drama em busca de informações sobre o paradeiro do motorista Francisco Eriberto Leite Linhares, de 34 anos. Ele é morador no bairro Jaçanaú e teve a casa invadida por um grupo armado que estava com a fotografia do irmão dele, João Paulo. Como não encontraram o rapaz, os criminosos levaram Eriberto.

Ontem, familiares, parentes e amigos chegavam à residência de Eriberto a todo momento. O quarteirão é formado por casas e estabelecimentos pertencentes à família da vítima, que é tradicional no bairro.

Aos 63 anos, seu João Adalberto Linhares Frota, pai de Eriberto, foi visto chorando pela primeira vez. Aos prantos, disse que, por volta das 23h40min da última terça-feira, 7, dois homens armados escalaram uma geladeira que estava na calçada do duplex do filho, quebraram a grade e invadiram o imóvel pela janela. O motorista dormia, na companhia da esposa e de três filhos, sendo duas crianças e um recém-nascido. O grupo estava com a fotografia do irmão de Eriberto, João Paulo. Mesmo percebendo que Eriberto não era a pessoa que procurava, o grupo o levou.

Motivação do crime

João Paulo trabalha no ramo de pavimentação. Para ele, uma amizade de infância com o vizinho, que integra uma facção criminosa e está preso, é a motivação para o rapto. Os criminosos roubaram o televisor de Eriberto e dois celulares. Quando João Paulo soube do rapto do irmão, ligou para o celular e quem atendeu foi um dos criminosos.

“Liguei e eles atenderam. Pensei que fosse meu irmão. E eles disseram: ‘Escapou, bichão! Era pra ser tu, mas teu irmão foi sal’. Eu xinguei e eles falaram que era a GDE (Guardiões do Estado) e que vêm buscar dentro de casa. ‘E se tu não for embora para bem longe, nós vamos tocar fogo em tudo aí. Teu irmão tá na estrada da BR da Caucaia’”, recorda.

Conforme João Paulo, a explicação possível para ter se tornado alvo dos criminosos é ter um amigo que faz parte de facção rival. “É um amigo de infância. Crescemos juntos jogando bola. Ele partiu para um lado e eu continuei minha vida, trabalho com calçamento”, explica.

Na noite do crime, a Polícia Militar esteve na residência, mas a família reclama que os agentes disseram que iam fazer buscas, mas permaneceram com a viatura parada em um posto de combustível. Ontem, dois investigadores da Polícia Civil estiveram na casa. A mãe da vítima fez Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia de Maracanaú e seguiu para Fortaleza, no intuito de registrar o caso na Divisão Anti-Sequestro.

A assessoria de comunicação da Secretaria da Segurança Pública (SSPDS) informou, por meio de nota, que a ocorrência não havia sido identificada, mas seria verificada hoje.

O Povo