O Brasil voltou a fazer feio no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), indicador elaborado pela ONG Transparência Internacional, que anualmente ouve especialistas e empresários em 180 países sobre o nível de corrupção que eles observam em suas nações. O ranking divulgado na última terça-feira, dia 11, se refere a 2024, e nele o Brasil atingiu tanto a sua pior pontuação da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012 – 34 pontos, em uma escala de zero (maior corrupção) a 100 (maior integridade) – quanto a pior colocação na lista de países, com um 107.º lugar. O ranking é liderado pela Dinamarca, com 90 pontos, enquanto a lanterna é do Sudão do Sul, com 8 pontos. No continente americano, o líder é o Uruguai (76 pontos), enquanto o pior resultado é o da Venezuela (10 pontos).
A bem da verdade, haveria como esperar algo diferente? O ano passado foi marcado por novos retrocessos no combate à corrupção, especialmente devido à continuação do desmonte da Operação Lava Jato. Apenas a caneta do ministro do STF Dias Toffoli, ao longo de 2024, conseguiu a proeza de suspender a multa da empreiteira Odebrecht e anular todos os processos da Lava Jato contra Marcelo Odebrecht; Toffoli ainda anulou provas contra o ex-marqueteiro do PT João Santana e sua esposa, Mônica Moura, e anulou todas as decisões contra o empreiteiro Leo Pinheiro, da OAS, que delatou Lula.