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quinta-feira, 7 de abril de 2016

38 policiais indiciados por participação direta na chacina na Grande Messejana

Os nomes das vítimas da chacina foram grafitados em muro da Escola Professora Terezinha Ferreira, no Curió

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) indiciou 38 policiais, entre militares e civis, por participação direta na Chacina da Grande Messejana. A informação foi obtida pelo O POVO junto a fontes que participaram das investigações e falaram sob a condição de sigilo. O inquérito sobre o caso já foi concluído e será encaminhado ao Ministério Público do Estado (MPCE) na próxima segunda-feira, 11, véspera do dia em que a chacina completa cinco meses.

No dia 3 de dezembro, O POVO havia antecipado que pelo menos 35 policiais teriam protagonizado a matança, que fez 11 vítimas e deixou outras sete pessoas feridas. Já considerando o caso de agentes que teriam dado apoio, ou que não intervieram na ação criminosa, poderia chegar a 50 o total de servidores investigados. A CGD ouviu mais de 200 testemunhas.

“De fato, acreditamos que muitos outros policiais participaram da ação, mas a investigação não conseguiu chegar a todos os envolvidos, devido à dificuldade para levantar as provas. Alguns, infelizmente, não serão indiciados. Mesmo assim, é considerável o total de indiciados”, afirmou a fonte.

Na última segunda-feira, 4, o governador Camilo Santana (PT) afirmou que os laudos periciais balísticos sobre o caso, solicitados à Polícia Federal, já estavam prontos e que a pretensão era que o desfecho da apuração fosse divulgado “em breve”. No dia seguinte, Camilo recebeu uma comissão de delegados da CGD, no Palácio da Abolição, ocasião em que a conclusão do inquérito foi apresentada ao chefe do Executivo estadual. A informação foi divulgada pelo secretário Delci Teixeira.

“Tivemos uma reunião ontem à noite (terça-feira) lá no Palácio da Abolição. Eu, o governador e o pessoal da CGD, todos os que estavam na investigação. A CGD já concluiu o seu trabalho”, disse o titular da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, ontem, durante a divulgação do número de homicídios em março, na sede da SSPDS.

Denúncias

O fato de 35 policiais terem sido indiciados não significa que todos serão denunciados e terão as respectivas prisões solicitadas pelo Ministério Público. Entretanto, segundo Delci Teixeira, a tendência é que o grupo de três promotores que atuam no caso corrobore com a conclusão da CGD.

“O Ministério Público vai analisar esse trabalho e vai dizer se é aquilo ou não. Eu estava conversando com o nosso procurador-geral de Justiça (Plácido Rios) agora e me parece que a ideia dos promotores de Justiça é realmente convalidar aquilo que foi apurado por essa equipe da CGD”, confirmou o secretário, ao detalhar que, “no máximo”, dentro de duas semanas, os detalhes do inquérito da CGD devem ser divulgados.

Saiba mais

As investigações a CGD apontam que as 11 execuções foram uma “demonstração de força” dos policiais, em retaliação à morte do soldado Valterberg Chaves.

Em carros descaracterizados e com o apoio de algumas viaturas da PM, eles teriam executado as vítimas, em locais diferentes, para dar a entender que as mortes decorriam do tráfico de drogas.

Duas outras linhas de investigação chegaram a ser consideradas para o caso. Elas apontavam para mortes em decorrência da disputa de território para o tráfico.

A Polícia Federal deu apoio científico à CGD, com a realização de exames balísticos em 11 cartuchos de munições de calibre 12, 380 e ponto 40 que foram recolhidos por testemunhas e entregues à controladoria e à Polícia Civil

11 pessoas foram executadas na Grande Messejana no dia 12 de novembro de 2015 
7 pessoas ficaram feridas durante a ação criminosa 

200 testemunhas, pelo menos, foram ouvidas durante as investigações

O Povo Online