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22 de maio de 2015

Desemprego no País atinge 6,4%; maior desde 2011


Rio. A taxa de desemprego apurada em abril deste ano, de 6,4%, é a maior desde março de 2011, quando ficou em 6,5%, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que anunciou a Pesquisa Mensal de Emprego do mês passado. O resultado se iguala ao observado em abril e maio de 2011, quando a desocupação também ficou em 6,4% da população economicamente ativa.
Considerando apenas meses de abril, a taxa de desemprego observada em 2015 é a maior desde 2010, quando ficou em 7,3%, e igual à de 2011 (6,4%). De acordo com IBGE, a população desocupada - que busca trabalho, mas não encontra - recebeu um contingente de 384 mil pessoas a mais entre abril de 2014 e o mês passado. Isso representa um crescimento de 32,7% na comparação interanual, segundo o órgão.
Por outro lado, a população ocupada diminuiu nesse intervalo. A queda foi de 0,7% em abril contra igual mês de 2014, o que significou um corte de 171 mil postos de trabalho. Houve ainda aumento de 0,9% na população economicamente ativa (+213 mil pessoas) e avanço de 0,4% nos inativos (+70 mil pessoas) nesta mesma comparação.
Em abril ante março, a população desocupada também aumentou. São 63 mil pessoas a mais na fila do desemprego na passagem do mês, alta de 4,2%, segundo o IBGE. A população ocupada também cresceu, mas em ritmo menor: o avanço foi de 0,2%, o que representa 42 mil pessoas a mais com emprego na comparação com março. Houve ainda alta de 0,4% na população economicamente ativa em abril ante março (+105 mil pessoas), enquanto a população inativa caiu 0,5% no período (-104 mil pessoas).
Agravamento
O crescimento da taxa de desocupação medida pelo IBGE por meio da Pesquisa Mensal de Emprego reflete um aumento maior da população economicamente ativa e da taxa de participação do que do nível de ocupação, avaliou o economista da Fundação Seade Alexandre Loloian.
"Desde o fim do ano passado, o desemprego começou a aumentar. No primeiro trimestre, a coisa não desandou muito, porque ficou aquela expectativa bruta. Mas provavelmente teremos agravamento da situação a partir de maio, com diminuição do nível de ocupação, o que não é muito comum para o período", afirmou Loloian. Segundo ele, normalmente o emprego sobe no segundo semestre, atingindo o pico em novembro e dezembro, e volta a cair no primeiro quadrimestre do ano seguinte.
Renda
O economista avaliou que a queda da renda média real dos trabalhadores em abril reflete um "efeito duplo" de deterioração do mercado de trabalho e inflação. "Com a deterioração do mercado, os salários nominais tendem a variar mais negativamente Por exemplo, as empresas demitem um operário e contratam outro ganhando menos. Com a inflação, o salário real se reduz ainda mais", explicou. Em abril, a renda média real caiu 0,5% ante março e 2,9% em relação ao mesmo mês de 2014.
fonteDN