Em entrevista ao jornal O Povo, o deputado deixou o tom diplomático de lado e questionou diretamente a influência de Camilo na definição da candidatura:
“Quem tem que topar é o governador. Ou é Camilo o candidato?”
A declaração foi interpretada como um recado direto ao Palácio da Abolição e também como pressão pública sobre o governador Elmano de Freitas.
Recado ao Abolição
Júnior Mano foi além. Ao afirmar que o governo precisa do apoio do bloco de prefeitos que o acompanham rumo a 2026, o deputado elevou o tom e deixou claro que sua base política pode pesar na balança eleitoral.
“Ele (Elmano) tem interesse no Cid e no nosso grupo. Acredito que não terá resistência para me apoiar ao Senado.”
Nos bastidores, aliados interpretam o movimento como estratégia articulada com Cid Gomes, que dias antes o chamou publicamente de “amigo” durante entrevista no Carnaval.
Aliança sob risco?
A entrevista caiu como uma bomba no núcleo político do Estado. A movimentação de Júnior Mano coloca pressão sobre a relação entre Camilo Santana e Cid Gomes, dois pilares da aliança que governa o Ceará.
A avaliação de interlocutores próximos ao ministro é que Camilo não deve ceder a pressões públicas, tampouco abrir negociação direta nesse momento. A missão de conter a crise pode recair sobre o governador Elmano de Freitas, que terá de equilibrar forças dentro da própria base.
Clima de tensão
O episódio escancara a disputa antecipada pelo Senado e revela que a corrida de 2026 já começou — e com fogo amigo.
Se haverá rompimento ou reacomodação, os próximos movimentos dirão. Mas uma coisa é certa: a tensão está no ar no bloco governista.