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2 de julho de 2016

Comandante do Ronda diz que armamento utilizado pela quadrilha era "um pouco" superior ao da PM


O comandante do Ronda do Quarteirão, tenente-coronel Fernando Albano, classificou o armamento da quadrilha de assalto a carro-forte que matou três policiais militares, fez reféns e chegou a roubar uma viatura como "um pouco superior" ao da Polícia Militar local. A declaração foi feita na última sexta-feira, 1º, durante o sepultamento das vítimas, em Quixadá. 

As quadrilhas de ataque a banco e carro-forte que agem no interior são conhecidas por atuarem com fuzis calibres 556 e o bando que age em Quixadá, especificamente, é conhecido por possuir um fuzil calibre .50, exclusivo das Forças Armadas. A informação foi repassada no ano passado, pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF). O armamento é capaz utilizado em guerras no Iraque,  Afeganistão, e pelos traficantes do Rio de Janeiro, além de atuar em ataques aéreos e contra carros blindados, com grande poder de destruição. 

Apesar disso, o comandante do Ronda disse que não há falhas no material que é entregue aos policiais militares e entende como leviana esse tipo de afirmação. "Entendemos que o Governo do Estado tem buscado total apoio a PM de equipamentos e armamentos necessários para as atividades de segurança. Temos coletes suficientes e armamentos suficientes. Os bandidos usavam um armamento de grosso calibre, um pouco superior ao da PM, mas temos treinamento e uma tropa corajosa com princípios táticos para enfrentar qualquer desafio. Temos um lema que o bandido pode estar até com uma bazuca, mas vamos atrás", ressaltou o oficial.

O comandante do Ronda disse que a Polícia Militar está 'enlutada' e que tem certeza que a tragédia que aconteceu em Quixadá é um motivo a mais para que a Polícia continue combatendo o crime no estado do Ceará. O oficial ressaltou a importância da união de força dos órgãos de segurança e disse que a PMCE só vai parar quando conseguir prender cada um dos integrantes da quadrilha.

 De acordo com o vice-presidente da Associação de Profissionais de Segurança, Noélio Oliveira, a morte dos PMs foi uma tragédia anunciada e que as APS vem informando sobre o sucateamento da Polícia Militar no Interior do Estado, em termos de armamento insuficiente. 

"Precisamos frisar que a Polícia Militar está com falta de armamento. Acabei de vir do quartel de Quixadá e encontrei um subtenente chorando. Ele me pediu socorro, porque não possui armamento para combater a altura. Se existem armas essas armas estão guardadas em algum lugar que não são os quartéis", relata. O representante da Associação dos Profissionais de Segurança ainda fez um apelo para o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e relatou que todos os dias são apreendidas armas de grosso calibre no estado do Ceará. Ele ressalta que essas armas devem ser utilizadas pela Polícia Militar do Interior.

No primeiro semestre de 2015 foram 12 fuzis apreendidos no CE. Entre os meses de janeiro a maio de 2016 foram apreendidas 2.464 armas de fogo no Ceará, conforme o balanço da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).


Especialista descreve perfil dos assaltantes do Novo Cangaço 

No estudo da pesquisadora do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (UFC), Jânia Perla Diógenes de Aquino, que foi apresentado na Universidade de São Paulo (USP), que fala sobre a performance e o perigo nos Assaltos Contra Instituições financeiras. 

A pesquisadora entrevistou assaltantes de banco do estado do Ceará em um presídio de segurança máxima e constatou que ele se vê e é visto como um ‘profissional’ e que os entrevistados possuem características que fogem do estereótipo do 'pirangueiro'. As abordagens são caracterizadas pela violência e os integrantes das quadrilhas são dependentes de drogas ou álcool. 

Conforme o trabalho acadêmico da pesquisadora, os indivíduos conhecem trechos do código penal, artigos e parágrafos. Além de ter uma espécie de 'fachada social'. 

 "Você me vê aqui manso, falando numa boa com você, mas você nem imagina como é que eu sou quando estou trabalhando. Tinha um amigo meu que dizia que eu me tornava outra pessoa. A minha voz muda, as minhas maneiras mudam. Ele disse que não me reconhecia, porque eu pareço outra pessoa. Não é que eu não me lembre do que eu faço depois, mais eu mudo. Eu sou eu, mas faço e digo coisas que eu não faço normalmente, que não tem a ver com o meu jeito de tratar as pessoas. (Trecho de Entrevista realizada em maio de 2003).

 Em outra entrevista um homem preso pela prática do sequestro de gerente de bancos, ação criminosa conhecida como sapatinho, explica como funciona a ação criminosa.


 “Todo o segredo de fazer esse tipo de assalto está na casa do gerente. Tudo começa com a família dele, os filhos, a mulher, as pessoas que ele tem mais afeto. A gente pega essas pessoas e na hora que ele chega a gente pega ele também. A gente pega as famílias no final da tarde ou a noite. Então, a gente segura o pessoal. O telefone tocou, a gente deixa a pessoa atender, e manda ela falar normalmente. Mas a gente fica na linha com a pessoa, ouvindo o que ela vai falar. Então a gente fica com as pessoas na casa, até determinadas horas, quando a gente vê que ninguém mais vai chegar, que o telefone na vai tocar, então, por volta de meia noite, a gente leva todo mundo pro cativeiro. Depois que está todo mundo no cativeiro, tudo certinho. Aí a gente começa a trabalhar o gerente. ( Trecho de entrevista realizada em 2003).

O Povo Online