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12 de janeiro de 2016

Ceará registra redução no número de homicídios, em 2015, após 17 anos

Os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), que englobam homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, fizeram 4.019 vítimas durante o ano de 2015 em todo o Estado do Ceará. O número, apesar de alto, é 9,5% inferior ao que foi contabilizado ao fim de 2014, quando 4.439 pessoas morreram.

Conforme o governo, esta foi a primeira vez nos últimos 17 anos em que houve redução dos homicídios no Ceará.

A diminuição representa quase o dobro da meta do Programa Nacional de Redução de Homicídios (PNRH), que é de 5%. O próprio Estado mantém como meta 6% de redução, o que também foi alcançado.

Os dados foram divulgados pelo governador Camilo Santana no começo da tarde de ontem, na sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), após a reunião mensal entre o gestor e os comandantes das Áreas Integradas de Segurança (AIS) em que o Ceará está dividido.


Territórios

Conforme os dados apresentados pela Secretaria da Segurança, Fortaleza foi o território do Estado que apresentou a maior redução de CVLIs no ano passado. Foram 17% menos vítimas em 2015 do que em 2014. Mesmo assim, a Capital registrou 1.651 assassinatos no último ano, ante 1.989 ocorridos no ano anterior.

Em seguida, a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) apresentou diminuição de 10,3% nos homicídios, latrocínios e lesões corporais graves. Conforme os dados, foram 771 mortes, contra 860 contabilizadas um ano antes.

Na sequência, de acordo com os dados, o Interior Norte somou 665 vítimas, diminuindo apenas 2,3% em comparação com as 681 do ano de 2014. A única região do Estado que apresentou aumento no número de homicídios no ano foi o Interior Sul, que saltou de 909 vítimas em 2014 para 931 em 2015, o que representou um aumento de 2,4% nos Crimes Violentos Letais Intencionais, segundo os números oficiais informados, ontem, pela SSPDS.

Mensal

O último mês do ano passado terminou com redução de 5,5% nas mortes por crimes violentos no Estado do Ceará. Foram 359 casos registrados pela Secretaria da Segurança, 21 a menos que as 380 mortes que foram contabilizadas pela Pasta durante igual período de 2014.

Em dezembro, Fortaleza também apresentou a maior redução na quantidade de mortes por CVLI. Foram 15,9% menos assassinatos no período, saindo de 145 registros no último mês de 2014 para 122 em 2015. A seguir, o Interior Norte contabilizou 10,8% menos morte, ao sair de 65 vítimas em 2014 para 58 casos registrados nos últimos 30 dias do ano passado.

Já a Região Metropolitana e o Interior Sul registraram aumento na quantidade de homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. A primeira cresceu 4,2%. Foram 71 mortes em 2014 e 74 em dezembro de 2015. Já o segundo território somou 105 vítimas, ante 99 em igual período de 2014, um aumento de 6,1% nas vítimas.

O governador Camilo Santana destacou que, apesar da redução, não há motivo para comemorar ou diminuir o ritmo das ações, tendo em vista a quantidade ainda grande de vítimas da violência no Estado.

"Como diz o nosso secretário de Segurança, Delci Teixeira, 'não temos tempo nem para comemorar nem para lamentar'. A questão da Segurança Pública tem que ser monitorada 24 horas, com olhar atento, estratégico, pois temos limitações no Estado.

O ano de 2015 foi positivo pelo resultado da redução de homicídios depois de 17 anos. Gosto de frisar isso, pois conseguimos atingir redução de 9,5% no Estado e 17% em Fortaleza, responsável por 80% na redução dos homicídios no Estado. Temos olhado também para o Interior, com a implantação do Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Ostensivas e Intensivas (BPRaio), das bases da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) e do Batalhão de Divisas", avaliou. 

Acerca da região Sul, única do Estado a registrar crescimento nas mortes em 2015, o governador informou que depende da situação financeira do Estado para agir. "Vamos ter que realizar uma ação específica para a região do Vale do Jaguaribe e para o Sertão Central. Queremos montar mais uma base do Raio e da Ciopaer no Interior, mas para isso precisamos de investimento. Vamos avaliar como vai se comportar a economia em 2016", indicou.

Diário do Nordeste