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29 de janeiro de 2016

Zika pode atingir quatro milhões de pessoas nas Américas

Genebra. A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse, ontem, que o vírus zika poderá atingir de três a quatro milhões de pessoas nas Américas. No Brasil, a estimativa é que 1,5 milhão de pessoas sejam afetadas. Projeção semelhante já foi apresentada pelo Ministério da Saúde.

O diretor do departamento de doenças transmissíveis da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), Marcos Espinal, afirmou ainda que o zika pode se espalhar para fora das Américas.

Segundo Espinal, o vírus deve chegar a todos os países onde há a presença do mosquito Aedes aegypti, que também transmite dengue e chikungunya. "O zika irá onde o mosquito estiver", afirmou, durante encontro da OMS, em Genebra.

Hoje, 23 países das Américas já confirmam casos autóctones (adquiridos no local) de zika. "A população das Américas nunca tinha sido exposta ao vírus, e por isso não tinha imunidade", afirmou. Ao mostrar os países onde há transmissão de dengue, o diretor alertou: "Esse é o mesmo mapa da zika".

Espinal lembrou que o vírus zika é difícil de ser identificado, uma vez que não há ampla oferta de testes. Ao citar o aumento de casos de microcefalia no Nordeste do Brasil, ele defende que, apesar de haver evidências da associação com o zika, é preciso mais provas para confirmar a causa do aumento de casos da má-formação. "Não sabemos ainda qual o risco das mulheres em ter um criança com microcefalia", afirmou.

Segundo Espinal, ações devem ser tomadas pelos governos não apenas na área da saúde, mas com participação de gestores da educação e meio ambiente, por exemplo.

No mesmo encontro, a diretora-geral da OMS, Margareth Chan, disse que a epidemia do vírus zika se propaga "de maneira explosiva" nas Américas.

O órgão deve convocar uma reunião do comitê de emergência em 1º de fevereiro. "Atualmente, casos foram notificados em 23 países e territórios na região. O nível de alerta é extremamente alto", disse Chan.

A organização está particularmente preocupada com "uma potencial disseminação internacional". Segundo Chan, "a situação decorrente do El Niño (fenômeno climático particularmente poderoso desde 2015) deve fazer aumentar o número de mosquitos este ano".

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, fez um apelo, ontem, aos membros do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) para que mobilizem toda a base no combate ao Aedes aegypti. "Um mosquito não pode ser e não é mais forte que um país inteiro", disse.

Diário do Nordeste