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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

PRF atua em conjunto com a Polícia Civil do Ceará e identifica caminhão envolvido em acidente que vitimou adolescente na BR-304, em Aracati (CE)



A Polícia Rodoviária Federal (PRF) atuou em conjunto com a Polícia Civil do Ceará (PCCE) para identificar e localizar o caminhão suspeito de envolvimento no sinistro de trânsito que vitimou fatalmente uma adolescente de 14 anos, na BR-304, no município de Aracati (CE). O caso, registrado no início de janeiro, gerou ampla repercussão e desencadeou mobilização social, incluindo interdição de trechos da rodovia federal nos dias seguintes ao acidente.

bloqueio ocorreu no domingo (04), na altura do km 62, antes da entrada do município, quando manifestantes solicitaram a presença de representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para tratar da possibilidade de implantação de redutores de velocidade no local do acidente. Equipes da PRF acompanharam a manifestação e buscaram atuar nas negociações junto ao DNIT. Com o avanço do diálogo, os manifestantes liberaram o bloqueio de forma pacífica. 

Enquanto a situação ganhava repercussão social e na imprensa, o trabalho técnico de apuração já havia começado no próprio dia do sinistro. A equipe da PRF que atendeu a ocorrência realizou o registro detalhado do cenário e dos vestígios, reunindo elementos essenciais para a confecção do Laudo Pericial de Sinistro de Trânsito (LPST), documento administrativo que consolida informações técnicas sobre a dinâmica do acidente.

Dinâmica do acidente: colisão lateral no mesmo sentido e evasão do veículo de carga

O sinistro aconteceu no dia 02 de janeiro de 2026, por volta das 18h30, no km 62 da BR-304, no sentido crescente, na localidade de Córrego do Retiro, em Aracati (CE). Conforme o levantamento realizado no local, tratou-se de uma colisão lateral no mesmo sentido, envolvendo uma bicicleta e um veículo de carga.

A análise das evidências materiais feita pela equipe da PRF apontou que a bicicleta trafegava pelo acostamento e, em seguida, acessou a borda da rodovia. Na sequência, foi atingida pelo caminhão, que seguia no mesmo sentido e se aproximava pela retaguarda. Essa trajetória foi confirmada por marcas de arrastamento registradas no pavimento, compatíveis com a fricção de partes metálicas da bicicleta.

Com o impacto, a adolescente que estava na bicicleta foi arremessada para o acostamento e morreu no local. O caminhoneiro não permaneceu na área do sinistro para prestar socorro, deixando o local logo após a colisão. A ausência do veículo envolvido no momento do atendimento inicial impôs desafios adicionais ao processo de identificação imediata.

Vestígios e imagens de monitoramento levaram à identificação do veículo suspeito

A partir do conjunto de informações reunidas no local — incluindo vestígios físicos e registros técnicos consolidados no LPST —, a PRF avançou na análise de dados que pudessem indicar o veículo envolvido. O trabalho técnico contou com cruzamento de informações e apoio especializado de inteligência para consolidar indícios mais consistentes.

Parte de fibra do parachoque do caminhão - indicativo da cor do veículo
Parte de fibra do parachoque do caminhão - indicativo da cor do veículo

Um dos pontos centrais desse processo foi a análise de imagens de monitoramento da rodovia, que apontaram o mesmo veículo circulando dias antes da ocorrência, sem dano aparente na parte frontal, e minutos depois do acidente, já com avarias compatíveis com a região de impacto com a bicicleta. Além disso, fragmentos que permaneceram sobre o asfalto no local do sinistro foram analisados e apresentaram compatibilidade com o veículo identificado nas gravações. Dias depois, imagens de câmeras voltaram a flagrar o veículo circulando com o dano parcialmente reparado. 

Veículo com dano compatível com o acidente identificado por monitoramento minutos após a colisão
Veículo com dano compatível com o acidente identificado por monitoramento minutos após a colisão

Com base nesses elementos, a PRF compartilhou informações e atuou de forma integrada com a Polícia Civil do Ceará, responsável pela condução da investigação criminal, contribuindo para o monitoramento e a localização do caminhão e do condutor suspeito.

Localização do condutor ocorreu na noite dessa quarta-feira (21), no km 64 da BR-304

Na noite dessa quarta-feira (21), por volta das 23h, o caminhão suspeito, com placas de Mossoró (RN), foi abordado no km 64 da BR-304, em Aracati (CE), durante uma ação conjunta envolvendo equipes da PRF e da PCCE. A ação foi planejada para garantir segurança e efetividade na abordagem e possibilitar que a autoridade policial responsável pelo inquérito formalizasse as medidas cabíveis, incluindo a intimação do condutor, um homem de 27 anos, para prestar depoimento.

Na manhã da quinta-feira (22)ele foi ouvido pela Polícia Civil, acompanhado de sua defesa. A partir de agora, as investigações criminais seguem em andamento para esclarecimento completo das circunstâncias do sinistro e eventual responsabilização penal, conforme apuração técnica e jurídica conduzida pela autoridade competente.

O que diz a legislação brasileira sobre deixar o local do acidente e não prestar socorro

A legislação brasileira prevê consequências para condutas relacionadas à ausência de assistência em situações de sinistro de trânsito. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece como crime deixar o condutor de prestar imediato socorro à vítima, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, ou não solicitar auxílio da autoridade pública (art. 304), com pena de detenção de seis meses a um ano, ou multa.

O CTB também tipifica como crime afastar-se o condutor do local do acidente, para fugir da responsabilidade penal ou civil que possa ser atribuída (art. 305), com pena de detenção de seis meses a um ano, ou multa.

Além disso, o Código Penal também prevê o crime de omissão de socorro (art. 135), aplicável a situações em que alguém deixa de prestar assistência quando possível fazê-lo sem risco pessoal, ou não solicita socorro à autoridade competente, com previsão de detenção de seis meses a um ano ou multa, conforme o caso.

As circunstâncias específicas de cada ocorrência — incluindo possibilidade de socorro, condições de segurança e eventuais responsabilidades — são analisadas pelas autoridades responsáveis durante a investigação.

Justiça e Segurança