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27 de agosto de 2017

Privatização é o “eclipse” de Temer para a crise política


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No “timing” político que passaram a ter as ações do Ministério Público, Janot disparou no final de semana a penúltima flecha de seu bambuzal : as denúncias contra a trinca Renan-Jucá-Sarney  baseadas nas gravações de Sérgio Machado.

Temer, pelos fatos descritos na denúncia terem ocorrido antes de sua ascensão golpista à Presidência, não pode entrar na roda, embora Janot deixe claro que, não fosse isso, estaria.

Janot luta para não submergir na mídia, onde a situação de Temer, com  o “feirão da privatização” melhorou, embora o resultado disso na sua avaliação política entre a população não tenha nenhuma melhora, a esta altura virtualmente impossível.

Parte disso vem do refluxo que obteve no ataque da Globo, com aquelas razões mas, comenta-se, também com métodos mais próximos da natureza sórdida de sua política que, se comenta já sem muita reserva nos meios políticos, atingiria o grau de chantagem financeira.

As conversas, registradas aqui e ali nos jornais, entre Moreira Franco e João Roberto, foram, ao que se diz diretamente aos escalões do jornalismo da emissora e o áudio de uma suposta demissão do jornalista Luiz Nascimento, com uma gravação falsa acusando a Globo de um impensável acordo com Lula – ao qual desavergonhadamente o próprio Temer deu repercussão –

A outra parte do “refresco” de Temer vem da liquidação de estatais e concessões  com que ele inundou a mídia na última semana. Embora o “mercado” saiba que o precário ocupante do Planalto não tenha condições de entregar nem um terço  do encarte de supermercado que divulgou  – inclusive com estatais francamente já lucrativas -, a promessa é enorme e o desastre grande e, em parte, irreversível.

A “agenda de reformas”, inviabilizada pelo enfraquecimento da base parlamentar só existe  ainda na imaginação dos jornalistas da “cartilha neoliberal”. Temer, espertamente, a substituiu pela venda de garagem, no “saldão” do Estado brasileiro.

Temer manobra para fazer com as privatizações – ou promessas de – um eclipse parcial de sua crise política, enquanto faz malabarismos com as  pretensões presidenciais de Meirelles, Dória e quem mais vier, desvia as atenções.

É nessa floresta que Janot vai disparar sua flecha, já agora rombuda, a menos que apareçam papéis, recibos, evidências tão flagrantes que nem a hipocrisia de parlamentares ávidos pelo único dinheiro “certo” para a campanha – o das emendas e os dos negócios obtidos com cargos no Governo.

Red; Tijolaço