-->

12 de maio de 2016

Dirigentes discutem nova fórmula para as disputas da Copa do Nordeste

Clubes locais preferem adotar
cautela para discutir rumos do
Estadual ( FOTO: KID JÚNIOR )
Os campeonatos estaduais estão em pauta na Liga do Nordeste. Só que, desta vez, não são vistos como vantagem para alguns dos clubes da Região. Na última terça-feira (10), dirigentes estiveram reunidos em Recife (PE) para discutir uma nova fórmula para a competição, que passaria por mudanças já em 2018.


O novo formato atingiria diretamente os estaduais, já que os grandes do Nordeste iriam se dedicar exclusivamente ao torneio regional, composto inicialmente, na proposta, por 12 clubes. Estes não participariam dos campeonatos locais. Existe ainda uma possibilidade de ser implantada uma Série B do Nordestão, que seria subsidiada com a receita proveniente da Série A.



Para dirigentes cearenses, a medida requer muito cuidado na hora de se tomar uma decisão em definitivo, já que os campeonatos estaduais envolvem várias questões sociais e econômicas.



Sobre a possibilidade de não jogar o Cearense e estar apenas na Copa do Nordeste, o presidente do Ceará, Robinson de Castro, preferiu não cravar uma posição no momento. Para ele, as propostas ainda são mera especulações. "O Ceará não se posicionará neste momento. Acho que ainda não é hora de se pensar nisso, pois 2018 ainda está longe. Para uma decisão dessa ser tomada, de mudanças, é preciso muita negociação, pensar na torcida, nos patrocinadores dos campeonatos, na CBF, no interesse dos demais clubes. São muitos agentes envolvidos. Por isso o Ceará não se posicionará agora, afirmando se é contra ou a favor. Ainda é muito incipiente", explica o mandatário alvinegro.



Entre as prováveis mudanças, estaria o critério de classificação para o torneio regional, que envolveria a classificação de cada equipe no ranking da CBF. Com 12 participantes, a competição seria disputada em turno único e de pontos corridos, sendo que as quatro melhores equipes estariam classificadas para disputar uma semifinal. Em 2017, o futebol cearense será representado no certame por Fortaleza e Uniclinic, campeão e vice do Estadual 2016, respectivamente.



Fim?



No entendimento do presidente do Fortaleza, Jorge Mota, no que se refere a campeonato local, a nova proposta precisa ser revista. Ele ressalta que a não-participação dos grandes na disputa caseira seria uma espécie de fim precipitado da competição.



"Essas hipóteses da Liga do Nordeste ainda não estão confirmadas. Precisamos reunir todos os clubes para deliberar, mas, de antemão, diria que sou contra ficarmos fora dos Estaduais, porque assim irão acabar. O que precisamos é adequar o Estadual à nova realidade. Há um sentimento de que algo precisa mudar nos campeonatos locais. Ele (o Cearense) deu prejuízos a Fortaleza e Ceará, imagine para os demais. Entretanto, considero que a Copa do Nordeste deva ser a grande competição do primeiro semestre", completa o presidente tricolor.



Caçula cearense



Classificado pela primeira vez para disputar a competição regional, o Uniclinic chega em meio a um cenário de incertezas. O gerente de futebol do vice-campeão cearense, Jurandi Júnior, ressalta que a tentativa de se reduzir e até acabar com os campeonatos estaduais não é novidade. Ao mesmo tempo se mostra contrário à ideia. "É um sonho antigo da CBF e de alguns clubes acabarem com os Estaduais. Creio que não passe de uma vontade. O que vimos este ano, mais uma vez, foi a torcida motivada, tal como aconteceu na final com o Fortaleza, e o estádio cheio. Eliminar os grandes dos Estaduais é o mesmo que desqualificar tudo o que eles já fizeram nessas competições e que agradou muito aos torcedores", argumenta Jurandi.



A reportagem tentou entrar em contato com os dirigentes Alexi Portela e Evandro Leitão, respectivamente presidente e vice da Liga do Nordeste, mas não obteve sucesso. Já o presidente da Federação Cearense de Futebol (FCF), Mauro Carmélio, não quis comentar o assunto.



SAIBA MAIS



A favor



Em entrevista à ESPN, o presidente do Sport de Recife, João Humberto Martorelli, afirmou que alguns clubes (da Bahia e de Pernambuco) estariam dispostos a levar a ideia à frente e se dedicar exclusivamente à Copa do Nordeste, deixando de disputar o Estadual no primeiro semestre. "Teríamos uma competição em pontos corridos, com 12 times e quatro avançando para as fases finais. Santa Cruz e Náutico apoiam. Acho que vem forte esse movimento", arriscou o dirigente



Contraponto



Já o presidente da Federação Maranhense de Futebol, Antônio Américo, se mostrou contrário à ideia das 12 equipes no torneio regional, o que, para ele, iria desfavorecer e, consequentemente, diminuir o número de participantes do Estado. Em entrevista ao Globoesporte.Com, o presidente do Sampaio Corrêa também se mostrou contrário à ideia. "Não podemos e não vamos aceitar nenhum tipo de mudança que possa colocar o futebol do Maranhão em segundo plano"

Diário do Nordeste