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15 de julho de 2015

Detento ordena morte de rival pelo WhatsApp

Executor foi orientado pelo celular e recebeu fotos dos dois alvos; um homem morreu e outro foi ferido na ação

A farra dos celulares nas unidades prisionais do Estado do Ceará resultou em uma morte na tarde de ontem, em Fortaleza. Através do aplicativo WhatsApp, um detento da Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) II enviou, de dentro da cela, ordem para um comparsa matar dois desafetos. Um dos alvos foi executado, e outro homem ficou ferido. O executor foi preso em flagrante por policiais civis.

A reportagem teve acesso às conversas entre o detento e o comparsa. Através de áudios enviados pelo aplicativo WhatsApp, o presidiário identificado como Francisco Erinardo de Sousa Silva orientou Filippe Vasconcelos Viana, 25, acerca dos rivais que queria mortos.

Além dos áudios, o mandante enviou fotografias dos dois desafetos e foi enfático ao exigir que apenas eles fossem alvejados. "O 'Gordão' vai dar pra nós (sic) as ideia tudo (sic) bem 'direitim', blusa, bermuda, para nós não matar(sic) ninguém errado. Vamos matar eles dois que tem a foto aí", avisou.

Do presídio
Embora preso, Erinardo trocava mensagens constantemente com Filippe, que há cerca de um
mês também estava recolhido em uma unidade prisional. Na manhã de ontem, o conteúdo da conversa entre a dupla era a morte de dois desafetos. 

José Henrique Santos Gomes era um dos alvos. O outro, tem identidade preservada. Ao pedir a morte dos dois homens, Erinardo promete também enfrentar inimigos de Filippe quando deixar a prisão. "Firmeza, tu faz esse bagulho aí que eu represento com você também. Quando eu me soltar aí, eu quebro qualquer um pra você também, 'vetin'".

Por volta das 9h de ontem, Filippe deixou a residência, no Icaraí, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Pegou alguns ônibus, passou por dois terminais. Desceu na Avenida Almirante Henrique Sabóia (Via Expressa), já por volta de meio-dia.


Informações
Na mão, levava um aparelho celular, conectado direto com o comparsa, que de dentro do presídio, dizia como proceder. Ao chegar à Comunidade dos Trilhos, no Papicu, recebeu a informação verbal de onde estaria o alvo. Segundo afirmou na Delegacia, também recebeu a arma que deveria usar das mãos de um adolescente. No local apontado pelo informante, um grupo de aproximadamente seis pessoas conversava.

Filippe sacou o revólver e efetuou seis disparos. Um deles atingiu um homem que estava no grupo. Os outros cinco foram em direção ao corpo de José Henrique Santos Gomes. Naquele instante, policiais civis do 15º DP (Cidade 2000) passavam pelo local e viram um homem correndo em direção à Avenida, sangrando. Decidiram adentrar o beco e viram Filippe ainda com a arma em punho. Houve perseguição e o suspeito acabou preso já na Avenida Dom Luiz.

O delegado titular do 15º DP, Hélio Marques, destacou que o suspeito confessou o crime na unidade policial e forneceu detalhes da ação. "Ele disse que não ia receber nada para matar os dois, era apenas um favor. Eles são conhecidos por envolvimento no tráfico de drogas", disse.

Conforme o delegado, a autoria intelectual do crime estaria explícita nas mensagens. "Filippe foi autuado em flagrante por homicídio, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma de fogo. Erinardo será indiciado, possivelmente, como autor intelectual dos crimes", afirmou. Ainda na tarde de ontem, outro revólver de calibre 38 foi encontrado na casa de Filippe, no Icaraí.

Diário do Nordeste