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26 de maio de 2016

Fuga em massa é registrada em presídio inacabado


Dezenas de presos escaparam, na madrugada de ontem, do Centro de Execução Penal e Integração Social, no Complexo Penitenciário Itaitinga II. A unidade, que está inacabada, abriga parte dos internos da Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) III, que estavam jurados de morte pelos outros presos recolhidos nas unidades II e IV.

A Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) confirmou a fuga. Contudo, não informou o número de foragidos. De acordo com familiares, que aguardavam informações do lado de fora do complexo na tarde de ontem, o número estaria em torno de 50.

"Não revelam a quantidade pois nem mesmo eles (Estado)sabem quantos presos estão lá. Nós sabemos que essa 'CPPL V' não tem condições. Não tem água, não tem banheiro, não tem segurança, não tem estrutura", relatou uma mulher.

De acordo com a Sejus, nenhum novo conflito foi registrado desde a última segunda-feira (23) nas unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Para a Pasta, os ânimos dentro dos presídios "começam a se estabilizar".

Ontem, os familiares puderam encaminhar malotes com produtos alimentícios e de higiene para os presos.

Entretanto, o coordenador de missão do Conselho Estadual de Capelania do Estado do Ceará, pastor Lúcio Vieira, não sustenta o mesmo otimismo. Segundo ele, os familiares dos presos realocados à unidade em reforma foram informados de que não poderão visitar os parentes no fim de semana. Isso, na opinião do coordenador, poderá gerar novos conflitos.

"As unidades V e VI estão totalmente sem condições de receber o ser humano, mas estão com presos lá. E a conversa hoje é que não haverá visitas para eles no fim de semana, pela impossibilidade estrutural. E não havendo as visitas, depois de uma situação como essa de rebelião, como será?", questionou o religioso.

Conforme Vieira, os detentos também estariam apreensivos com a iminente chegada da Força Nacional de Segurança (FNS). "Há um sentimento de tensão por causa dos comentários de outras intervenções da tropa", afirmou.


Também os familiares demonstravam preocupação com a integridade física dos presos, temendo algum excesso por parte da FNS.

Diário do Nordeste