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1 de dezembro de 2015

Profissionais de saúde denunciam falta de insumos e medicamentos no HGF


A carência de insumos, medicamentos e outros materiais tem afetado o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), maior unidade de atendimento terciário do Estado, segundo denúncias de médicos e enfermeiros. A constante falta de elementos como luvas, máscaras, seringas e agulhas estaria atrapalhando a realização de procedimentos básicos.

Com as reduções nos atendimentos do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC), profissionais de saúde temem que a unidade seja ainda mais penalizada. Referência em transplantes, o Hospital Universitário Walter Cantídio suspendeu a transplantação de rim, pâncreas, fígado e medula óssea. Os serviços da unidade começarão a ser reduzidos progressivamente até atingir 50% da capacidade instalada. Um comunicado foi divulgado na sexta-feira, 27. Segundo o texto, a redução é motivada pela insuficiência dos repasses de recursos do Serviço Único de Saúde (SUS).

O presidente da Associação dos Médicos do HGF (AME), Jaime Benevides, pontuou que além da ausência de insumos básicos, os profissionais estão lidando com restrições severas na oferta de elementos cirurgicos, tubos para coleta de material, reagentes químicos para realização de exames e antibióticos. "Todos os serviços estão sendo prejudicados e, consequentemente, os pacientes. Estamos suspendendo cirurgias, procedimentos programados não estão acontecendo. O hospital não tem condição de absorver os pacientes", pontuou.

No começo de novembro, o Sindicato dos Médicos do Ceará denunciou a morte de 19 pessoas pela carência de insumos. Os óbitos aconteceram nos plantões dos dias 31 de outubro e 1º de novembro - 13 pacientes teriam falecido na emergência por sepse e insuficiência renal, ocasionadas pela falta de antibióticos ou cateter de diálise.

Marta Brandão, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Estado do Ceará (Sindsaúde), contou que nos últimos 20 dias vem recebendo denúncias constantes de técnicos sobre a indisponibilidade de insumos. Em um plantão no setor neonatal, ela contou, haveriam apenas três máscaras para uma equipe de oito pessoas.

Nesta terça-feira, 1º, Sindsaúde vai paralisar as atividades do HGF durante uma hora. A mobilização acontecerá entre as 7 horas e as 8 horas da manhã. O órgão quer pressionar o Governo do Estado pelo pagamento de salários atrasados desde setembro e por reabastecimento dos materiais hospitalares.

O POVO Online entrou em contato com a assessoria de imprensa do HGF para indagar sobre as denúncias de falta de insumos hospitalares. Por meio de nota foi informado que a unidade mantém "a rotina de funcionamento. Nos boletins de atendimentos dos dez hospitais da rede do Governo do Estado, que são divulgados diariamente no site da Secretaria da Saúde do Estado e dos hospitais para conhecimento da população, há toda movimentação diária. No último dia 29, domingo, o HGF fez 51 atendimentos na emergência, realizou 33 internações. No sábado, foram 73 atendimentos na emergência, 45 internações", esclareceu o texto.

O POVO Online